Mobilização

Associação dos delegados do RS decide pela manutenção do silêncio com a imprensa

Categoria reivindica valorização salarial que não ocorre há mais de dez anos

Foto: Divulgação ASDEP - Ultima reunião de dezembro não teve avanço

Um dos carro-chefe de campanha do atual governo do Estado, a queda nos índices de criminalidade é uma realidade que chega até à população gaúcha pela divulgação na imprensa, quando grandes operações são repassadas, principalmente pela Polícia Civil aos jornalistas. Dificultar essa comunicação foi a forma encontrada pela Associação dos Delegados e Delegadas de Polícia Civil (ASDEP) para reivindicar melhoria salarial junto à atual gestão e, desde o dia 21 de dezembro, é mantido o silêncio pela categoria que diz não ter um aumento real de salário há mais de dez anos.

"O último foi em 2013. Em 2022, o governo deu um aumento para todos os servidores de 6%, o que representou só a inflação daquele ano. Nesse período já são mais de 60% de perdas. A partir de então, enviei ofícios para marcar audiência com o governo e sem respostas. Então a Associação decidiu fazer greve, não dando entrevista. Foi então, que o governo se sensibilizou espontaneamente, e chamou para conversar", conta o presidente da ASDEP, delegado Guilherme Wondracek.

Foram quatro encontros - sendo que nesse período houve um cessar da mobilização - mas sem nenhum avanço nas negociações. Portanto, desde o dia 21 de dezembro, por decisão tomada em assembleia da categoria, os delegados e delegadas retomaram o silêncio e não concedem mais entrevistas sobre casos ou operações realizadas. "Claro que por ordem legal, eventualmente um ou outro delegado realiza essa função. Mas acreditamos que essa é a maneira de o governo nos atender. Não é nada contra a imprensa e nem com a população", explicou Wondracek, que lembra ser a redução da criminalidade a prioridade do governo Eduardo Leite, sendo que os dados são exaltados em eventos, redes sociais e até mesmo em propaganda paga. "Porém a recompensa aos servidores da segurança não tem. Estamos muito descontentes com essa situação", declarou.

Além da valorização salarial, questões como pagamento de horas-extras durante as operações e a estrutura das delegacias estão sendo cobradas pela Associação. "Vamos visitar algumas delegacias que estão em situação precária, como o terceiro andar do Palácio da Polícia, e a partir de então, tomar as medidas cabíveis", frisou o presidente da ASDEP. Ainda conforme a Associação, a categoria já foi a quarta mais bem paga dentre os 27 estados e atualmente ocupa o 16º lugar.

O que diz o governo

Através da assessoria de Comunicação, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado diz que realizou, no último ano, ciclos de reuniões com todas as categorias e associações ligadas às forças de segurança, recebendo as demandas apresentadas. Que representantes das classes da Brigada Militar, da Polícia Civil, do Instituto-Geral de Perícias, do Corpo de Bombeiros Militar e do Detran apresentaram suas demandas para a pasta e também para a Casa Civil (CC) e a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), sendo que esse tema está constantemente em pauta e a secretaria e o governo do Estado estão empenhados na busca da valorização dos profissionais da segurança pública do Rio Grande do Sul.

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